Cartas que me levam a um outro lugar

Escrever uma carta é transcrever suas emoções, sua memória, se reconhecer. 


Esta percepção foi muito clara em algumas aulas de português do Coletivo Conviva Diferente, onde foi realizado o projeto piloto: “Cartas que me levam  a um outro lugar”.


Foi enviada uma mensagem, via Whatsapp, para algumas pessoas que  se interessaram por esta experiência. As pessoas  retornaram com fotos das cartas escritas para os alunos, sem saber quem era o destinatário. As cartas foram impressas e entregues aos grupos de alunos na primeira aula, e nas aulas seguintes  foram direcionadas a cada aluno. Não foi determinado nenhum critério para os brasileiros e alunos na escrita das cartas.


Houve o suporte de professoras e professores de português, do Coletivo Conviva Diferente, no processo da leitura e escrita das cartas. Através do uso da escrita ocorreu uma troca de experiências, culturas, emoções, percepções com outras pessoas que dominam a língua que o outro está aprendendo. O aprendizado veio pelo reconhecimento de ser alguém. O desafio de ensinar dentro de um ambiente em que imigrantes e refugiados acabam se restringindo a conviver com pessoas do país de origem, sem integração com a população do país que estão vivendo.

 

Um dos alunos, que estava no Brasil há 4 meses, pegou sua carta, olhou pra mim sorrindo com um brilho nos olhos e disse: “Eu estou no Brasil há poucos meses e consigo escrever uma carta!”

 

Eu me enxergo quando preciso falar de mim para outra pessoa, eu me reconheço quando escrevo. Eu existo dentro de uma outra língua.

Aula piloto: 09/09/2017
 

© 2018 Karla da Costa

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